domingo, 28 de maio de 2017

"O Ódio que Você Semeia", de Angie Thomas será lançado em português

The Hate U Give (no Brasil, O Ódio que Você Semeia) da escritora Angie Thomas, nascida e residente em Jackson - Mississippi, é um dos livros mais comentados dos últimos anos, chegando a marca do 1º lugar na lista dos mais vendidos do New York Times, a história aborda problemáticas sérias como racismo. A história contada em O Ódio que Você Semeia promove o debate sobre um assunto urgente que é essa questão tão importante. Embora se passe nos Estados Unidos, trata-se de uma livro reflete muito do que o contexto social no Brasil também é, por isso já reservei o meu em pré-venda e assim que chegar terá resenha deste livro aqui no blog.

A Editora Record vai lançar em português pelo selo Galera e o lançamento no Brasil será em 10 de julho. Já é possível encomendar em pré-venda em algumas livrarias como Cultura e Saraiva, está custando R$39,90.


Os direitos cinematográficos do livro foram comprados pela Fox 2000, o cineasta George Tillman deve estrelar juntamente à atriz Amandla Stenberg (A que fez Rue, em Jogos Vorazes). 

SINOPSE: "Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra.Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar."

sábado, 27 de maio de 2017

"Crônica de uma namorada", de Zélia Gattai

Li esse livro em duas madrugadas seguidas, deixei de ver séries no Netflix porque tive realmente muito mais interesse em ler a história que Geana estava contando. Eu AMEI essa história. Fiz uma viagem maravilhosa à década de 50. A personagem que sem dúvida mais me fascinou foi Ricardina (). Duvido quem ler não amar Ricardina! Ela tem um tipo de coragem que não é raivosa, é sonhadora sem medo, algo tão nobre e raro. Acho que com ela lembrei que é feliz quem não deixa de sonhar, com coração grato e livre de rancor.


SINOPSE: O romance de Zélia Gattai acompanha as dores e descobertas da menina Geana, que precisa enfrentar a morte da mãe e conviver com uma madrasta ao mesmo tempo que experimenta transformações físicas e o despertar da sexualidade.  São temas simples que, nas mãos de Zélia, se transformam num relato de formação minucioso. Sem moldes e sem fórmulas, a menina se faz a cada pequeno golpe que a realidade lhe aplica. As paixões súbitas que atordoam suas relações com os meninos; a força das palavras, que pode estar nas linhas precárias de um telegrama; as lembranças infantis das férias, do Natal, das conversas com os mais velhos, que ajudam a temperar a agitação das mudanças. É nas pequenas alegrias — bailes de adolescentes, programas de calouros e o convívio com personagens fascinantes como Ricardina, a menina pobre que deseja se transformar em cantora — que a protagonista reúne forças para enfrentar as dificuldades e se redesenhar. Tendo como pano de fundo o início dos anos 1950 na cidade de São Paulo, Zélia não se deixa levar nem pela tentação sociológica nem por apelos da psicologia. Ela não escreve para explicar ou para interpretar, mas para contar uma boa história.


Título: Crônica de uma namorada;
Autora: Zélia Gattai;
Editora: Companhia das Letras;
Ano: 2011;
Págs.: 272;
Preço: R$ 47,90.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Conheça: Delmira Agustini

Delmira Agustini, poeta e ativista feminista uruguaiana (1886-1914), foi uma mulher a frente do seu tempo, escreveu sonetos sobre erotismo feminino numa época em que este ramo era totalmente dominado por homens. Sua obra é caracterizada por uma carga erótica forte. Seus poemas seguem a linha modernista e estão cheios de feminismo, simbolismo, sensualidade e sexo. Seu estilo pertence à primeira fase do Modernismo e seus temas que tratam de fantasia e materiais exóticos. Eros, deus do amor, simboliza erotismo e é a inspiração para poemas Agustini cerca de prazeres carnais.

Porém infelizmente Delmira estava fisicamente inserida num tempo misógino, e por essa razão a história da poeta foi interrompida prematuramente, aos 27 anos, após se separar do marido, ele a assassinou e cometeu suicídio depois. Atualmente Montevidéu tem um memorial dedicado a Delmira Agustini e todas as vítimas de violência de gênero localizado na rua Andes 1206, onde Delmira foi assassinada pelo ex-marido.


Tem disponível para baixar de graça para o Kobo (no app ou no e-reader) no site da Livraria Cultura e-book com sonetos de Delmira: AQUI.

terça-feira, 9 de maio de 2017

"O Conto da Aia", de Margaret Atwood

"The Handmaid's Tale" (no Brasil "O Conto da Aia", pela editora Rocco) é uma ficção distópica escrita pela canadense Margaret Atwood no ano de 1985. A trama virou série, cuja primeira temporada conta com 10 episódios e que está renovada para a segunda temporada, transmitida pelo serviço de streaming Hulu. A história é interessantíssima, se passa futuro imaginário, onde os Estados Unidos não se chamam mais Estados Unidos, o país tornou-se a República de Gilead, que é governada por um regime totalitário e teocrático que vive uma guerra civil. O país é organizado de modo que as mulheres são propriedade do Estado, não têm direitos individuais e são divididas em castas – mulheres férteis (as mais raras) pertencem ao grupo das aias e têm apenas uma função: procriar para famílias de homens poderosos e suas esposas estéreis. O processo no qual as aias são estupradas pelos comandantes é chamado de “cerimônia”. Para quem gosta de ficção política, ficção científica, distopias sociais como 1984 e A Revolução dos Bichos (de George Orwell), Fahrenheit 451 (de Ray Bradubury) ou Admirável Mundo Novo (de Aldous Leonard Huxley), indico muito a leitura de O Conto da Aia, pois esta obra tem um pouco de tudo que tem naquelas outras, o debate sobre o totalitarismo, sobre liberdade e direitos civis e sociais, só que com uma pitada de algo que faz oportuno debater as questões de gênero.

Imagem: A Handmaid's Tale by Francisco Martinez.
SINOPSEA história de 'O conto da aia' passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado – há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Com esta história, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente.

O título parece estar esgotado no Brasil, mas ainda é possível encontrá-lo nos sebos.

ACHEI PARA BAIXAR AQUI: O CONTO DA AIA EM PDF



Título: O Conto da Aia;
Autora: Margaret Atwood;
Editora: Rocco;
Págs.: 366;
Preço: R$ 48,00.






Atualização em 27/05/2017: A Editora Rocco anunciou que irá relançar o livro, revisado e com capa nova, estará disponível nas livrarias a partir de 07 de junho.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

"Para Educar Crianças Feministas: um manifesto", de Chimamanda Ngozi Adichie.

De modo geral, pode-se dizer que o feminismo é um "modo de pensar" segundo o qual todo ser humano tem exatamente igual valor de humanidade sem que se deva fazer qualquer discriminação que imponha exigências, expectativas prévias ou mesmo "diminuição" da humanidade de uma pessoa humana com base em seu gênero ou sexo. Sabemos, entretanto, que diversas sociedades fazem esse tipo de discriminação e é em lutar contra essa discriminação – tanto nas suas causas quanto nos seus efeitos – que se emprenha o feminismo. É sobre educar crianças com essa visão de justiça que se debruça o livro Para Educar Crianças Feministas, da maravilhosa escritora Chimamanda Ngozi Adichie. Este livro não pretende ser um manual, mas uma conversa franca com sugestões para ajudar a ter ideia de como agir na educação das crianças no sentido de orientá-las diante da realidade que é viver num mundo cheio de injustiça de gênero. É uma leitura que indico tanto para quem educa quanto para quem não educa (ao menos, não diretamente) crianças, porque traz um texto, embora de leve leitura, carregado de questões urgentes e fundamentais que não devem ser negligenciadas, questões acerca de diversos tipos de violência e desvalorização de seres humanos só por serem classificados como "mulher". 


SINOPSEApós o enorme sucesso de 'Sejamos todos feministas', Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa

Tem a versão digital e a física e custam R$9,90 e R$14,90, respectivamente.

Título: Para Educar Crianças Feministas: um manifesto;
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie;
Editora: Cia. das Letras;
Tradução: Denise Bottmann;
Págs.: 96.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Caras que eu conheço

Na minha pré-adolescência fui a "amiga-tipo-menino", mas isso só até a menstruação descer e meu corpo mudar e os meninos começarem a perceber que eu não era "um cara". Permaneceu assim, não mudou, mesmo que eu mudasse os amigos eu sempre era um "não-cara", antes de qualquer outra coisa, e o respeito (no sentido de admiração e consideração) não tinha como não passar por esse filtro: "Jacilene é uma menina". Não deixou mais de ser assim, mesmo nos meios de "caras" que dizem não fazer diferenciação de gênero (porque quase sempre é mentira). Eu nunca tive vontade de "ser qualquer daqueles caras", na grande maioria era um monte de idiotas mimados, incapazes de ver qualquer complexidade no que fosse, porque vivem num sistema que os mima e os protege para sempre serem servidos, hoje pelas mães, amanhã pelas esposas, mas sempre pelas "mulheres", uns babacas fanfarrões criados sem capacidade de fazer o próprio café da manhã, arrumar a própria cama ou lavar uma camisa. E eles "perceberam que eu era uma dessas", que eu "não era um cara". 

Cresci observando e protestando contra atitudes práticas que reduziam minha humanidade à categorização "mulher" e, com isso, carregava minhas costas com o peso de todas as expectavas sociais imbecis que se tinham para essa categorização prévia: seja boazinha; seja frágil; seja doce; seja meiga; seja delicada; seja "mais feminina"; os meninos não gostam de meninas assim, então seja uma estúpida que faça eles se sentirem seguros, porque, na verdade, eles que são inseguros e estúpidos; não seja melhor do que os meninos. 

Na verdade, mesmo hoje, eu conheço um monte de caras que até dizem apoiar ideias feministas, que bancam os descontruidões descolados para alguns grupos que querem impressionar, mas que no fundo, na sinceridade, não respeitam de verdade um ser humano pelos seus feitos e ideias sem fazer uma prévia categorização de gênero, isto porque, no fundo, acreditam que mulher é tudo estúpida, fútil, superficial e "complicada" (pra não dizer idiota), são uns tipos de caras que gostam de verdade e respeitam, admiram de verdade, só os amigos que eles categorizam como homens, com quem podem conversar "coisas de homem" e ouvir as opiniões e experiências "dos caras", que são as que realmente eles dão atenção, enquanto às mulheres eles fingem ouvir porque ouviram dizer no feminismo que têm que ouvir. Porém, considerar uma pessoa sem expectativas de gênero é uma prática, uma internalização, não um bla bla bla hipócrita. Conheço diversos desses caras, me entediam, por isso minha atitude tem sido a de ignorá-los.

*   *   *
>> Livro que eu indico esta semana: 

"Último aviso", por Franziska Becker
Categoria: Quadrinhos adultos;
Publicado no Brasil por: Barricada;
130 pgs.

Sinopse: 'Último aviso' traz o olhar feminista afiado da alemã Franziska Becker sobre temas variados da vida privada e social, como consumo, moda, dinheiro, relacionamentos, política, religião e mídia. Iniciada no mundo das charges, caricaturas e histórias em quadrinhos na década de 1970, Franziska é considerada uma das mais brilhantes cartunistas da Alemanha. Oscilando entre a profunda seriedade e bobagens absurdas, Franziska criou com o conjunto de seus trabalhos uma grande crônica sobre o contemporâneo, abordando situações familiares e atuais, mas de relevância atemporal. Sua visão do mundo mostra um retrato surpreendente e irritante de nossa existência, sempre colocando o leitor entre o sonho e a realidade. Com ironia, humor e uma dose de sua própria experiência, Franziska revela o espírito da época em todas as suas facetas, com um olhar incorruptível que pode ser, ao mesmo tempo, maldoso e amoroso, mas que é sempre certeiro e anarquista. Quer se trate de 'modalidades esportivas para mulheres', da 'administração de crises' ou da 'nova política para desempregados' - os desenhos burlescos e as situações bizarras criados pela cartunista são marcados pela irreverência e enriquecidos por uma profusão de detalhes que remete aos mais sutis absurdos do cotidiano.
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